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PROTEÇÃO SEM CONTRAINDICAÇÃO

Por Ricardo Madalena*

 

O ano acabava de começar – o brasileiro estava esperançoso – pesquisa Datafolha registrava que 68% ansiava que 2021 seria melhor do que o ano que passou. Nos primeiros 17 dias o país somava 14.892 óbitos por coronavírus, ante 194.976 de 2020.

Era o domingo da esperança. Na TV não tinha partida de futebol e nem os tradicionais programas de auditório que estavam esvaziados pela pandemia. Era a reunião da Agência Nacional da Vigilância Sanitária, a ANVISA, que jogava luz sobre as notícias falsas contra a Coronavac e a AstraZeneca. Era a voz da ciência determinando: vacina sim.

Naquela mesma tarde assistimos a enfermeira Mônica Calazans recebendo a primeira dose de imunização contra o coronavírus. E já se passaram 176 dias, ou seja, quase 6 meses, e 323 mil óbitos a mais. Assistimos neste meio tempo a falta de kit intubação e cilindros de oxigênio, condenando brasileiros a morte.  A segunda onda do coronavírus que foi extremamente letal. A perspectiva positiva de 2021 estava sendo apagada. A saúde pública estava sob intenso ataque.

Sentimos, infelizmente, o duro golpe do mau exemplo e do desprezo pela vida de quem deveria justamente defendê-la a começar tomando a vacina para reparar os danos da negação. Pelo contrário – a aposta tem se mantido na malfadada divisão – mesmo que isso custe à morte de entes queridos das famílias brasileiras. Um triste destino. Mas é o único caminho a percorrer?

Na contramão desta escuridão São Paulo através do Instituto Butantan e contando com 100% de apoio do governo estadual e da Assembleia Legislativa – tem liderado a trincheira da vida ancorada pela ciência. União contra a escuridão. A Coronavac renovou a fé do brasileiro. Na fila do Sistema Único de Saúde (SUS) filhos estrearam o ano fazendo o caminho inverso e naquela ocasião levando os pais para a vacinação mais importante do século. O caminho que todos estão trilhando.

Aliás recordo ao nascimento dos meus filhos que antes mesmo de terem o registro oficial com o nome passado em cartório tiveram primeiro a carteira de vacinação. Algo extremamente natural e num passado tão recente distante de qualquer politização letal.

Em 14 de maio chegou a minha vez – tomei a primeira dose de vacina contra o coronavírus e na fila – conheci a Tatá e a Tânia que se uniram ao coro dos que defendem a vida e pediam maior celeridade na imunização – sentimento que explodia em nossos peitos era da alegria de viver – parecia a final de uma Copa Mundial. Um momento extremamente especial – à vitória da vida na seringa com o líquido de 5 ml transparente que tem protegido quem amamos.

Agora São Paulo avança mais.  Com 30 milhões de doses extras de Coronavac se antecipou em 26 dias a vacinação de todos os adultos do Estado com a primeira dose até 20 de agosto e a partir do dia 23 deste mesmo mês – atendeu nosso pedido através do ofício de n. 739/21 e incluiu os adolescentes de 12 a 17 anos.

Estamos construindo histórias pelo exemplo. Lideramos o bom debate com a união de estado, municípios e parlamento. É um caminho único para a construção da imunidade de rebanho e a retomada da normalidade com um destino certo: enfrentando a pandemia e se for para negar que seja apenas a dispersão. Vacina para todos já. Esperança para dias melhores, sempre. Esse é o caminho.

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*RICARDO MADALENA é deputado estadual e líder da bancada do PL na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.