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A representatividade da mulher na política: um passo necessário para a equidade de gênero

ARTIGO PUBLICADO EM 7/3/2024.

Este artigo foi publicado originalmente no portal do Perfil News https://www.perfilnews.com.br/

 Por Raquel Gallinati *                                  

Apesar de comporem a maioria da população e do eleitorado, as mulheres continuam sub-representadas nos cargos políticos eletivos. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam que, dos filiados a partidos políticos, 8.493.990 são homens, representando 53,8% do total, enquanto 7.284.431 são mulheres (46,2%). Além disso, nas Eleições Gerais de 2022, 9.891 mulheres se candidataram, porém somente 311 delas foram eleitas, correspondendo a apenas 18,2% do total.

Os dados refletem uma sub-representação estrutural da política que não tem sido resolvida com os programas de ação afirmativa, como as cotas, nem com as recentes medidas de garantia de financiamento para candidaturas femininas. O machismo estrutural reflete, inclusive, na relutância das mulheres em seguir carreira política, pois percebem esse ambiente como predominantemente masculino, o que desestimula o envolvimento.

Segundo o Inter-Parliamentary Union, o Brasil é um dos piores países em termos de representatividade política feminina, ocupando o terceiro lugar na América Latina em menor representação parlamentar de mulheres. No ranking, a nossa taxa é de aproximadamente 10 pontos percentuais a menos que a média global e está praticamente estabilizada desde a década de 1940.

Desde o início da República, em 1889, o país teve uma única mulher presidente, e apenas 16 governadoras mulheres. Dessas, só oito foram eleitas para o cargo, as demais eram vice-governadoras que ocuparam o posto com a saída do titular.

É essencial refletir sobre o papel da mulher na sociedade e pensar nas medidas essenciais para a concretização de uma verdadeira igualdade no Brasil. O reconhecimento do direito das mulheres de ocuparem todos os espaços sociais em condições equitativas com os homens representa um avanço significativo para todos como sociedade.

Enquanto celebra-se as conquistas de mulheres notáveis do passado, é necessário persistir nos esforços para ampliar a participação feminina na sociedade, reduzir a violência doméstica e buscar igualdade e respeito em ambientes predominantemente masculinos, tanto no contexto profissional quanto na percepção social, sendo essa uma necessidade premente.

A ampliação da participação feminina na formulação de políticas públicas é crucial. A discrepância de representatividade evidencia a necessidade de esforços redobrados para garantir a presença efetiva das mulheres na política, onde suas vozes e perspectivas são essenciais para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

*Raquel Gallinati, suplente de deputada pelo PL-SP, é delegada de Polícia; mestre em Filosofia; pós-graduada em Ciências Penais, em Direito de Polícia Judiciária, e em Processo Penal; diretora da Associação dos Delegados de Polícia (Adepol) do Brasil.