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STF libera eventos de arrecadação e mantém proibido o Showmício em campanhas

AS DECISÕES TERÃO VALIDADE NAS ELEIÇÕES GERAIS DE 2022.

 

Essas foram as decisões do Supremo Tribunal Federal em julgamento finalizado na quinta-feira, 7/10. Com a nova regra, o partido político poderá angariar recursos para campanhas eleitorais, organizando eventos fechados de arrecadação, incluindo-se apresentações musicais e cobrança de ingresso, por exemplo. Em relação à validade da nova norma já nas eleições do próximo ano, sem aplicação do princípio da anualidade eleitoral, prevaleceu entendimento do relator, ministro Dias Toffoli, ao destacar que a decisão não altera jurisprudência, nem marco normativo e que mantém regras já aplicadas pela própria Justiça Eleitoral.

 

Leia abaixo a matéria completa.

 

 

 

Em sessão plenárias realizadas por videoconferência na quarta-feira, 6/10, e na quinta-feira, dia 7 de outubro, o Supremo Tribunal Federal (STF) manteve a proibição de showmícios e a possibilidade da participação não remunerada de artistas em eventos de arrecadação de recursos para campanhas eleitorais. Por maioria, a Corte julgou parcialmente procedente a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5970, ajuizada por partidos políticos.

SHOWS E EVENTOS

O artigo 39, parágrafo 7º, da Lei das Eleições (Lei 9.504/1997), acrescentado pela Lei 11.300/2006 (Minirreforma Eleitoral), proíbe a realização de shows de artistas para animar comícios e reuniões eleitorais.

O segundo ponto em discussão é o artigo 23, parágrafo 4º, inciso V, da lei, que dispõe que as doações eleitorais poderão ser efetuadas por meio de promoção de eventos de arrecadação realizados diretamente pelo candidato ou pelo partido. Em relação a isso, os partidos apontavam o risco de a Justiça Eleitoral entender que o dispositivo não abrange a realização de espetáculos artísticos.

MANTIDA DECISÃO DO RELATOR

Prevaleceu, no julgamento, o entendimento do relator, ministro Dias Toffoli, que, na sessão de ontem, votou para ​interpretar a lei ​de modo a possibilitar apresentações artísticas ou shows musicais em eventos de arrecadação. A seu ver, esses eventos não se confundem com shows para o público em geral, pois são frequentados por pessoas que já têm simpatia pelo candidato.

Em relação aos showmícios, o relator entendeu que a restrição se justifica pela necessidade de assegurar igualdade de condições aos candidatos.

PARIDADE DE ARMAS

 

Os demais ministros que seguiram esse entendimento também fizeram reflexões sobre a proteção à paridade de armas nas eleições e a necessidade de coibir atos de abuso do poder econômico. Consideraram, ainda, que a Constituição assegura o desempenho profissional do exercício artístico e que os artistas podem continuar com suas atividades, mas não devem interferir nas eleições.

ARTE E EMOÇÃO

O ministro Luís Roberto Barroso e a ministra Cármen Lúcia votaram em maior extensão, para admitir os showmícios. Ambos destacaram a importância da música na vida social e política brasileira e avaliaram que a emoção gerada pela arte juntamente com a política é possível, desde que não haja abuso do poder econômico.

Para Barroso, impedir que um artista empreste o seu prestígio a um candidato em um comício não é razoável, uma vez que se permite a participação de um jogador de futebol ou de um ex-presidente da República. “É uma discriminação contra a arte, e não apenas contra os artistas em geral”, afirmou.

VOTOS PELA IMPROCEDÊNCIA DOS PEDIDOS

Os ministros Nunes Marques, Gilmar Mendes e Luiz Fux votaram pela improcedência dos pedidos, mantendo a proibição tanto dos showmícios quanto dos eventos de arrecadação. A seu ver, a arrecadação por meio de espetáculos pode gerar assimetria entre as campanhas, e o Estado não pode considerar que os cidadãos sejam facilmente manipulados e, por isso, devam ser protegidos de determinadas influências. Eles ressaltaram, ainda, que a discussão não tem relação com a liberdade de expressão, mas envolve questões como patrimonialismo e abuso de poder econômico.

NÃO APLICAÇÃO AO PRINCÍPIO DA ANUALIDADE

Também por maioria dos votos, a Corte ​entendeu que não se aplica ao caso o princípio da anualidade ​eleitoral, que proíbe a aplicação da nova norma antes do prazo de um ano. O ministro Toffoli lembrou que esse entendimento a respeito dos eventos arrecadatórios já vinha sendo aplicado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Assim, o que foi decidido já vale desde a publicação da ata do julgamento, vencidos, nesse ponto, os ministros Nunes Marques, Gilmar Mendes e Luiz Fux. (EC/CR/CF)

 

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FONTE:
Portal do Supremo Tribunal Federal (STF)

https://portal.stf.jus.br/noticias/