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ELEIÇÕES EM TEMPOS DE PANDEMIA: DESAFIOS E PONDERAÇÕES

O Dalai Lama disse uma vez que “o período de maior ganho em conhecimento e experiência é o período mais difícil da vida de alguém”. Esse pensamento, junto com o de Albert Camus de que “Não se pode criar experiência. É preciso passar por ela”, resume um pouco da intensa vivência em grandes desafios, ombro a ombro com a grandiosa família PL…

Concluindo 30 anos de serviços prestados na Polícia Militar, em 2018 fui desafiada por um amigo, o Deputado Federal Capitão Augusto, a vencer um certo preconceito em relação à política e aceitei o combate da primeira candidatura como Deputada Estadual por São Paulo. Porém, poucas semanas depois, quando ainda estava “aprendendo a pedir voto”, houve uma verdadeira guinada: após um contato inicial do Deputado Estadual André do Prado (que me pregou um susto enorme), atendi ao pedido do nosso Partido e aceitei integrar a coligação “São Paulo Confia e Avança” como vice do então Governador em exercício Márcio França, abrindo mão da candidatura a deputada. O desafio era enorme e o momento, singular: de um lado, uma esquerda fortemente unida em torno da continuidade na Presidência do Brasil. Do outro lado, uma crescente direita radicalmente unida em torno de um líder peculiar, que prometia fazer diferente, frente a escândalos de corrupção e problemas que envolviam o então Governo Federal.

A forte polarização que marcou a campanha de 2018 gerou, na época, muito “calor” e um cenário turbulento. Em meio a tudo isso, eu (uma “recruta” na política), procurava entender as expectativas do eleitor, que ia a extremos. A falta de equilíbrio, de respeito, de diálogo, de conciliação e até de coerência nos debates mexeu profundamente comigo, porque, por força da minha profissão, a vida toda fui desafiada a resolver crises e liderar pessoas com pulso firme, mas, acima de tudo, com equilíbrio, capacidade de diálogo e, principalmente, respeito às diferenças.  Assim, além do ineditismo de uma primeira campanha política, tive de aprender a fazer política sem violar valores e convicções, enquanto percorria todo o Estado de São Paulo vivenciando situações das mais estranhas, inusitadas e extraordinárias possíveis.

Em 2020, fui novamente desafiada a colaborar com o PL, desta vez em São José dos Campos. Havia grande potencial de fortalecer nossa representação local e, pela primeira vez, vivenciei o protagonismo de uma eleição municipal. Apesar de dificuldades como concorrer com um prefeito em exercício que disputava reeleição, e, principalmente, as restrições inéditas impostas pela COVID-19, tive total apoio da liderança do PL. Ao final de muito trabalho, após trabalhar intensamente na eleição mais curta dos últimos 50 anos, foi possível consolidar o Partido Liberal como a segunda maior força no município, com mais de 56 mil votos e dois vereadores eleitos, vencendo uma difícil “polarização” de décadas entre o PSDB e o PT.

A caminhada nos apresentou pessoas incríveis, outras nem tanto, comprovando o ditado de que “cada povo tem o governo que merece”. Entendi mais profundamente a importância da boa política, a grandiosidade de defender ideias, a complexidade de representar pessoas, e a responsabilidade enorme que é liderar, seja em âmbito municipal, estadual ou federal. Esta eleição em especial testou nossa capacidade ao limite e deixou muito aprendizado e crescimento a toda equipe. E em meio a tantos extremos, sacrifícios pessoais e até familiares, colocar “a cara a tapa” para fazer política – a boa política – foi um motivo de orgulho, porque exigiu muita garra, resiliência e coragem para participar e para liderar, qualidades imprescindíveis que encontrei em colegas e novos amigos que fazem parte da família PL.

Desses dois grandiosos desafios (2018 e 2020), e em especial nesta última “eleição da pandemia”, que representou um desafio inédito, tive aprendizados que compartilho com todos aqueles que, de alguma forma, estão unidos pelo objetivo comum de trabalhar pela construção de um país melhor e mais justo para todos.

O primeiro aprendizado é que nada se faz sozinho. A força de uma liderança e o sucesso vem a partir de um grupo, uma equipe de pessoas que se engaja, compartilha objetivos comuns e acredita em um projeto. Pensar individualmente pode até fazer bem para a vaidade, “massagear o ego”, mas é efêmero e sem qualquer base de sustentação. Fazer parte de um time que compartilha objetivos comuns e que, acima de tudo se respeita, viabiliza o sucesso.

Um bom planejamento é fundamental, é base para consolidar um projeto. É preciso fazer um bom diagnóstico; definir missão, visão de futuro, valores, recursos, objetivos e metas; estudar, avaliar todos os prismas de um determinado problema; buscar conhecimento em especialistas; dialogar, estar aberto a novidades; quebrar preconceitos e convencer pessoas a aderirem ao projeto. A política não é para “amadores”: é preciso ter competência, preparo, planejar com seriedade para não se machucar ou para não carregar consequências indesejadas.

Como “política não é para amadores”, é preciso ter responsabilidade. Não se deve entrar na política por vaidade ou por capricho: é preciso entender que a política é uma “patroa” difícil, exigente. Exige dedicação, foco, determinação, clareza de propósitos e, principalmente, a consciência de que devemos SERVIR, e não NOS servir do poder. A irresponsabilidade é provavelmente causa da infelicidade e da ruína de muitos que se aventuram nessa difícil empreitada.

Em suma: vaidade, orgulho, desrespeito, preconceito, incapacidade de diálogo e pensamento isolado são a certeza do fracasso, enquanto planejamento, coragem, determinação, foco, fé e trabalho em equipe são os fatores críticos de sucesso para quem deseja exercer a boa política. Gratidão é algo que não prescreve, e sou grata ao PL pelo apoio, respeito e oportunidade de fazer parte de uma equipe que trabalha ativamente para escrever uma história e construir um futuro melhor para nosso país.

Sempre à disposição! Deus os abençoe!

Autora: Coronel Eliane Nikoluk PL Mulher SP